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SABES QUE ÉS MÃE QUANDO

por Crónicas da Maternidade, em 19.10.14

O momento em que sabes que és mãe.

Não sei para vocês, mas para mim não é de todo aquele momento em que o teste diz “grávida”. Ser mãe é como os quilos que temos a mais: vai acontecendo até ser parte do nosso ADN.

Lembro-me perfeitamente dos momentos em que me tornei mãe. O primeiro foi cedo, foi quando fui com o M. fazer a primeira ecografia e aquele perdigoto de imagem tinha um batimento cardíaco de cavalo! O perdigoto tinha vida própria!

O segundo foi quando a colocaram em cima de mim, eu toda drunfada da epidural, ela toda viscosa de "cenas". E apesar de estar há 48 H com dores, de perna aberta e sem dormir, percebi que aquele perdigoto era agora praticamente gente.

O terceiro foi há talvez dois meses, quando decidi - convencida também pelo M. - a não me ir abaixo pelo meu recém desemprego, e a pegar em mim e na miúda e ir visitar uns amigos em Odemira e depois no Algarve. Uma road trip basicamente. Assim o fiz, e na primeira noite, em Odemira, pedi à dona da casa a cama dela, de casal, para dormir com a minha filha. A Filipa, uma miúda 5 estrelas, mudou-se para o quarto de hóspedes com outra amiga e lá fiquei eu. Jantámos as 3 adultas até às 2 AM enquanto a Clara dormia. Mas quando me deitei com ela, abraçadas as duas e longe de casa, senti que éramos mais companheiras que o código genético que partilhamos.

O quarto momento remonta a algo que a minha avó me descreve desde que sou gente mas que nunca tinha percebido até agora: o sono que não dormimos pelos nossos filhos. Eu dormia muito mal e a minha avó dormia de joelhos, muitas vezes, aos pés da minha cama para eu adormecer. Este velar de alguém tem um significado inexplicável. Pelo menos tinha para mim até anteontem.

Na noite antes de viajarmos, a Clara ficou doente. Já tinha ficado quando fomos de Odemira para o Algarve, meras constipações, mas eu, mãe, fico alerta. E fico a velá-la. Sei que não é compreensível para muita gente e pode ser apenas uma ranhoca. E eu até sou muito cool no sentido que a Clara pode lamber sapatos, comer areia e até terra de vasos. Acredito que a resistência vem do contacto com a bicharada. Mas vê-la doente tira-me do sério. E sei que este é mais um passo em ser mãe desta criatura: tudo o que lhe faça mal a ela faz-me muito mal a mim.

E vice-versa, portanto é bom que se ponha boa que eu quero continuar a viajar com a minha companheira comedora de areia.

publicado às 20:50



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